Candidatos durante estudo para concursos
(Foto: Reprodução/TV Globo)
Milhões de pessoas a cada ano iniciam o projeto de serem aprovadas em
um concurso público. É uma forma democrática de conquistar um emprego
com boa remuneração e transformar a própria realidade para o resto da
vida. Mas, a maioria desiste antes de conquistar a vaga desejada. Por
quê?
Os motivos podem ser diversos, mas podem ser reunidos em duas principais causas: desinformação e medo de não ser capaz.
Por isso, resolvemos listar aqui algumas das principais características
dos concursos públicos, para que você esteja prevenido e não se deixe
abalar caso se depare com algumas delas na sua trajetória.
1 - Projeto de médio e longo prazo
A aprovação em concurso pode demorar. Esteja preparado para estudar
durante alguns meses ou mesmo anos até conquistar a aprovação.
2 – Imprevisibilidade do edital
Infelizmente, não há como saber com segurança quando será publicado um
edital. Pode-se acompanhar as notícias sobre o pedido de autorização
para a realização do concurso, a concessão da autorização e o número de
vagas E a escolha da banca organizadora. Tudo isso são indícios da
proximidade do edital, mas não há garantia de data.
Para os concursos do Executivo federal, após a portaria autorizando a
realização do concurso, o edital deverá ser publicado em até seis meses.
3 – Disciplinas novas
O novo edital para um cargo pode cobrar disciplinas diferentes do
edital anterior para o mesmo cargo. Apesar disso, o melhor a fazer é
iniciar o estudo com antecedência e a partir do edital do concurso
passado, para já ter boa parte do conteúdo estudada.
Vale acompanhar as notícias, porque às vezes são divulgadas alterações
no conteúdo antes mesmo da publicação do edital. Na prática, não é comum
acontecerem mudanças muito radicais, exceto quando passam muitos anos
entre um concurso e outro.
4 – Pouco tempo entre o edital e a prova
Depois de publicado o edital, o prazo para a data da prova costuma ser
de 60 dias, aproximadamente, o que é insuficiente para uma boa
preparação. Por isso é fundamental iniciar os estudos antes mesmo do
edital.
5 – Disciplinas desconhecidas
Praticamente todo concurso cobra disciplinas que nunca vimos antes. O
que não chega a ser um grande problema, já que passamos por isso em toda
a nossa vida escolar.
Além disso, os cursos e livros abordam o conteúdo levando em conta que o assunto é novo para a maioria dos candidatos.
6 – Investimento
Muita gente pergunta se é possível estudar sem frequentar cursos
preparatórios. É possível, embora seja mais difícil e dependa de um
perfil de candidato disciplinado e que saiba enfrentar sozinho as
dúvidas nas matérias.
Algumas pessoas perguntam se é possível estudar somente com materiais
gratuitos encontrados na internet. Acho bastante difícil, principalmente
no caso de concursos mais complexos.
Vale lembrar que estamos falando de uma preparação para conquistar uma
oportunidade de trabalho com segurança e boa remuneração. É preciso
fazer algum investimento. Afinal, é um funil por onde passarão os que
estiverem mais bem qualificados.
7 – Nomeação pode não ser imediata
Após a homologação do concurso, os aprovados podem ser nomeados (ou
convocados para a contratação, no caso de cargo regido pela CLT) até o
fim do prazo de validade do concurso. Isso pode levar até quatro anos.
Podem ser nomeados todos de uma vez ou aos poucos, conforme a
necessidade da administração.
Assim, o ideal é que o candidato siga estudando até ser nomeado, porque
existe a possibilidade de ser aprovado em outros concursos que o
convoquem antes. Isso não é tão terrível, porque depois da primeira
aprovação a tendência é que o candidato passe a ser aprovado em todos os
concursos que fizer, desde que na mesma área, porque sua preparação
terá atingido um patamar de excelência.
8 - Cadastro de reserva
Os aprovados dentro das vagas oferecidas no edital deverão ser nomeados
até o fim do prazo de validade do concurso (o STF já decidiu essa
questão de forma definitiva).
Mas, os aprovados fora das vagas, que ficarem em cadastro de reserva,
poderão ser ou não nomeados, exceto se for comprovado que há
terceirizados ocupando vaga para o mesmo cargo.
Há ainda os concursos públicos feitos exclusivamente para cadastro de
reserva, sem definição de vagas, como é o caso do Banco do Brasil, Caixa
Econômica Federal e BNDES. Nesse caso, o candidato deve buscar a melhor
classificação, pois as empresas vão chamar de acordo com necessidade de
pessoal e, portanto, quem estiver na frente tem maior garantia de ser
convocado.
9 – Problemas nos concursos
Podem surgir imprevistos no concurso, tais como adiamentos, suspensões (
aconteceu com o concurso da Polícia Federal, recentemente),
cancelamentos (se for detectada alguma irregularidade). O jeito é
seguir estudando porque o mesmo concurso será retomado um tempo depois
ou poderá ser publicado outro edital para mesma área e você estará
preparado.
10 – Reprovações
A preparação para concursos está cada vez mais profissional. As provas
estão mais sofisticadas e os candidatos, mais bem preparados.
Reprovações acontecem e não devem abalar a sua confiança, pois fazem
parte da trajetória de quase todos que, depois, foram aprovados.
Resumindo, não é uma tarefa muito simples, mas o resultado é
extremamente compensador. Se o candidato estiver bem informado e
conduzir a preparação com equilíbrio e sem falsas expectativas, a vaga é
garantida.
Quanto ao medo de não ser capaz, é preciso seguir, mesmo assim. Quem disse que quem venceu não sentia medo?
*Lia Salgado, colunista do G1,
é fiscal de rendas do município do Rio de Janeiro, consultora em
concursos públicos e autora do livro “Como vencer a maratona dos
concursos públicos”